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{Cotovia} e Companhia

Olá Pessoas! Bem-vindas ao blogue da Cotovia onde (m)ando {cotovia}ando! Sigam a cor deste vôo: "Nascemos poetas, só é preciso lembrá-lo. Saber é quase tudo. Sentir é o Mundo." @mafalda.carmona

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{Cotovia} e Companhia

02
Fev23

Quer um cafezinho?


Cotovia@mafalda.carmona

Ou a "sui generidade" das profissões e a dificuldade da sua definição

  • Sempre existiu, e continua a existir, uma enorme dificuldade em encaixar determinadas profissões na normalidade. De simplificar a explicação das suas características e funções sem ser redutor. Ou mesmo de as aceitar enquanto profissão.

O que é o caso da definição de profissão para quem negoceia em café e cacau, produtos de produção inexistente no nosso país e por isso quando comercializados obrigarem a importação.

Blog-Bongusto.png

Imagem de artigo publicado aqui sobre os diferentes tipos de café. 

No caso do café, desde o seu comércio, às enormes chávenas de louça servidas a quase todas as refeições lá em casa, poderemos mesmo chamar-lhes malgas, do pequeno almoço, bem cedo, entre as 6 e as 7 da manhã,  à pequena chávena de café depois do jantar, com café claro, límpido e bem quente, assim como o cheiro do café e a sua inclusão como ingrediente em bolos e sobremesas doces, são as memórias mais características que guardo do meu pai.

Ontem, dia 1 de Fevereiro, em 2017, o meu pai deixou-nos, à sua pequena família, para iniciar um outro caminho, onde eventualmente, nos iremos encontrar algures no futuro, nesse que é o caminho desconhecido, mas o fim de todos nós, nesta forma de existir na Terra.

Inevitavelmente a data avivou recordações e entre elas, esta do café, pois o assunto do café e do meu pai, era sempre motivo de alguma crispação nos primeiros dias de aulas, quando tinha de responder (e era mesmo por obrigação) ao questionário do aluno, onde as perguntas incluíam a profissão e ou ocupação do encarregado de educação.

Quando a resposta incluía a exportação e importação de café e cereais, invariavelmente o professor ficava a olhar para mim como se os grãos de café aparecessem descascados, torrados directamente do cafeeiro para a sua cafeteira de casa ou na bica no restaurante a seguir ao almoço, sem passar pelo processo de colheita, compra, torra, armazenamento em silos ou enormes gares, compra, exportação em cargueiros, nova armazenagem (se não azedassem no transporte ou em qualquer outra fase deste longo processo), venda, empacotamento, venda, distribuição, superfície comercial, prateleira, venda, professor, compra, cafeteira...

Todos os anos eu renovava a minha fé num resultado diferente perante a minha resposta. Nada. Mais do mesmo. Ficava atónita.

Pensei em mudar a resposta e experimentei o "comércio de café e cereais".

Então, a confusão passava por o Sr. Professor pensar que quem negociava em café e cereais seriam apenas os donos do café ou da padaria... Sei que nessa altura, pré união europeia, ainda não se passavam dias inteiros em Bruxelas a negociar as quotas e preço tonelada da banana, e da banana da madeira versus as vindas de outras latitudes, mas, mesmo assim, o desconhecimento do básico ( o bê-a-bá ou, como dizem nos United States o 1-0-1) do comércio era, no mínimo, intrigante.

Também me causava estranheza a insistência, do.. "Ah, tem um café?"

Não senhor não tem café nenhum. Comercializa café, para isso tem de contactar os produtores, marcar deslocações, ter uma amostra, para ser torrada, até existe um kit portátil para poder fazer essa tarefa no local e permitir a prova da amostra, coisa complexa, avaliar o valor da produção, os gastos de transportes, navios, silos e armazenamento, e por aí senhor professor, que só falta chamar ao Gengis Khan e ao Marco Polo, e antes deles aos fenícios e a todos os outros, condutores de veículos, ignorando toda a parte histórica, comercial e cultural que através desta atividade permitiu que a civilização se desenvolvesse...

Insisti e resisti em desistir e noutro ano dei outra resposta: "comerciante". De quê? Pergunta o professor. De café e cereais... Ah, tem uma mercearia? Não não tem. Trabalha em exportação e importação. Next. Passávamos para um outro colega de turma, que aqui já se percebeu que não se percebeu.

Ajuda preciosa para o esclarecimento de como funciona a indústria do café foi dado pelo Sr. Clooney, o George.

Infelizmente, ou felizmente, já não estava a frequentar o ensino secundário (o 2°/ 3° ciclo). Mas, mesmo se à posteriori, foi o início da época da luz, do esclarecimento, agora todos podiam ver como este processo se dava, desde o cafeeiro, passando pela produção, colheita (safra) e distribuição sustentáveis até chegarmos ao "What Else?".

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 Nespresso, campanha publicitária com George Clooney. 

O marketing (outra nova profissão que em tempos de chamou "publicidade") é de facto uma coisa extraordinária.

Apresenta aquilo que estava a vista de todos de um modo tão apelativo que transmuta as pessoas, coisas e as situações em outras pessoas, coisas e situações. Entre a publicidade e a propaganda vai um passo, e maioria das vezes não se consegue distinguir até quão longe, ou perto, da realidade nos levam as imagens e discursos. Ao ponto de nos fazer esquecer a origem e verdadeira natureza do que se nos apresenta, ilude através de imagens a prometer vidas e produtos perfeitos, mas por outro lado, todos sabemos o que é marketing.

Assim, se fosse hoje, provavelmente, a minha resposta seria compreendida, graças ao George Clooney poder beber o seu cafezinho onde quiser e "What else", ou no caso "Whatever" como resposta ao Sr Professor se ainda assim insistisse em não perceber.

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{Cotovia} em Colectânea

Sinopse A Coletânea “ERA UMA VEZ…ALENTEJO” é uma obra que inclui poemas, fotografias, ou obras artísticas originais cujo tema e foco principal seja o Alentejo, e está abrangida no projeto europeu “Antologias Digitais”. Tendo a cidade de Évora sido recentemente nomeada Capital Europeia da Cultura 2027, faz todo o sentido homenagear não só a cidade como também toda a beleza circundante e riqueza cultural da região, e observar as maneiras como estas inspiram as pessoas de vários pontos do globo. Autor: Vários Formato: pdf Edição: 08.05.2023 Ilustração capa e contracapa: Ana Rosado; Vítor Pisco Editora Recanto das LetrasBaixar e-book

{Cotovia} em Antologia

Sinopse Aquilo que temos vindo a testemunhar desde 20 de fevereiro de 2022, provoca em nós sentimentos complexos, melhor expressados através da arte. Esta antologia recolhe estes sentimentos, e distribui-os para quem neles se reconforta e revê. Para o povo ucraniano, fica a mensagem de acolhimento, não só em tempos de crise, mas sempre. Porque é difícil expressar a empatia por palavras, mas aqui fica uma tentativa, por 32 autores, nacionais e internacionais. Autor: Instituto Cultural de Évora Formato: pdf Edição: 14.08.2023 Ilustração capa e contracapa: Ana Rosado Editora Recanto das Letras

{Apoio à Vítima}

A APAV tem como missão apoiar as vítimas de crime, suas famílias e amigos, prestando-lhes serviços de qualidade, gratuitos e confidenciais. É uma organização sem fins lucrativos e de voluntariado, que apoia, de forma qualificada e humanizada, vítimas de crimes através da sua Rede Nacional de Gabinetes de Apoio à Vítima e da sua Linha de Apoio à Vítima – 116 006 (dias úteis: 09h – 21h). Aquando de um crime, muitas pessoas, para além da vítima directa, serão afectadas directa ou indirectamente pelo crime, tais como familiares, amigos, colegas. A APAV existe para apoiar. Os serviços da APAV são GRATUITOS e CONFIDENCIAIS.

{Notícias Sobre a Ucrânia}

A UE condena com a maior veemência a agressão militar não provocada e injustificada da Rússia contra a Ucrânia. Trata-se de uma violação flagrante do direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas. Apelamos à Rússia para que cesse imediata e incondicionalmente todas as hostilidades, retire o seu pessoal militar e equipamento de todo o território da Ucrânia, no pleno respeito pela soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas. A UE apoia os princípios e objetivos fundamentais da fórmula de paz da Ucrânia enquanto via legítima e credível rumo a uma paz global, justa e duradoura.
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