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{Cotovia} e Companhia

Olá Pessoas! Bem-vindas ao blogue da Cotovia onde (m)ando {cotovia}ando! Sigam a cor deste vôo: "Nascemos poetas, só é preciso lembrá-lo. Saber é quase tudo. Sentir é o Mundo." @mafalda.carmona

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{Cotovia} e Companhia

12
Abr23

O Lama e o macaco espertalhão...

Reedição original Nov2022


Cotovia@mafalda.carmona

  • Ou como a notícia sobre o Dalai Lama torna a reedição deste post do ano passado acerca do livro de Afonso Cruz, oportuna, e assim aqui fica, com uma nota prévia.

Nesta nota tenho a fazer a seguinte consideração pessoal:

Quando o "ir à ópera" do macaco se torna uma "brincadeira', é porque o hábito já se normalizou, e ali, no Tibete, o bicho apesar de não ser um macaco bêbado, afigura-se ser um lama que, não estando na ópera, vestiu a pele de lobo para uma exibição que revela um hábito enraizado, que não aponta para os frutos caídos da árvore da cultura, mas para frutos doutra índole, e esses expulsam qualquer um do paraíso, sobretudo o Dalai Lama.

Quanto ao livro de Afonso Cruz  sobre a viagem à árvore da cultura, tem apenas uma polegada, um dedal, de vino veritas.

Gosto de livros, sobretudo de bons livros. Daqueles onde se ganha um bilhete de viagem, e assim que se começa, logo na dedicatória, no prefácio ou nas primeiras linhas, nos fazem divagar, voar em novas considerações, relembrar coisas lidas, escutadas ou vistas, nos dias vividos ou por viver.

Quando aquela história contada faz crescer outras histórias paralelas. Quando faz sonhar. Ou dá vontade de rir, chorar, até cantar, às vezes, outras, zangar, na maioria, sentir. Ler é um enorme antídoto para a insensibilidade, para o torpor. É o acender da esperança.

É assim que acontece com o livro de Afonso Cruz, 'o macaco foi à ópera'.

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O Macaco foi à ópera de Afonso Cruz da Coleção da Fundação Francisco Manuel dos Santos

Macaco é um termo de origem africana (provavelmente do banto makako).

E neste caso, um bom livro é como um bom vinho. O vinho presente na comunhão em Cristo, presente também no universo social, muitas vezes com moderação, óbvio, apenas a quantidade necessária para nos fazer ser civilizados e manter a humanidade, apesar do obscurantismo das 'sopas de cavalo cansado', em boa hora substituída pela sopa de letras, e pelas escolas.


Na orelha da capa, escuta-se, perdão, le-se (pois a voz do autor é forte e impõe-se na imagem das palavras que o texto nos vai transmitindo), o seguinte:


"No início... houve um macaco espertalhão que desceu da árvore para comer frutos caídos no chão, mais maduros, logo, mais doces, logo, mais fermentados, isto é, com um leve cheirinho a álcool. Outros macacos se lhe seguiram e, com o aumento das calorias consumidas, foi um passo até que lhes crescesse o cérebro, a coluna se endireitasse e as mãos se libertassem. Mais um passo... e estávamos a ir à ópera."

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Seja na ficção, seja na vida real, Afonso Cruz tem muito para nos oferecer, material para refletir, como neste livro da coleção Retratos da Fundação onde examina a teoria designada por "macaco bêbado" como a causa para o homem se ter, justamente:

"erguido sobre duas patas, perdão, pernas se ter tornado bípede sem penas."


Oferece ainda um postal marcador com um nome e duas datas, 17-12-12 AMBER 02-02-13 sem mais indícios, e, se num ímpeto de curiosidade folhearmos o livro, descobriremos na página 69, o último capítulo, o 13° (embora não esteja numerado), intitulado, providencialmente:

"Resumo para quem não tem paciência de ler o que se disse antes."

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Para descobrir a chave deste e outros enigmas sobre a evolução do homem, este livro, está disponível na livraria da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Nele, podemos perceber histórias muito próximas das nossas, por excessos, por hábitos, por desigualdades, por injustiças, por carências:

"A avó dos meus filhos, que nasceu numa aldeia isolada do Alentejo e teve uma paixão proibida e incompreendida pelos livros, tinha de ler às escondidas porque a leitura era uma actividade inútil, não era produtiva, e uma mulher devia dedicar-se aos meritosos descasque de batatas e cosedura de meias"...

Cresci sempre rodeada de livros, tive essa sorte, e quando não os compro, a biblioteca municipal é o meu espaço favorito.


Nunca fui impedida de ler seja o que fosse, nem sequer isso foi uma questão, quer em casa como na escola era um hábito cultivado e considerado um bem-querido. Uma ferramenta para construir o conhecimento, pois quando aprendi a ler já estávamos em Democracia, por isso, sempre houve Liberdade para ler tudo, em todo o lado, no elétrico, no autocarro, metro, comboio (desde que não em hora de maior afluência de passageiros que ai não há lugar para nada nem ninguém...), cafés, na praia, e sobreposta a outras tarefas que é o fantástico da leitura. Não que chegue ao primor dos nossos amigos franceses, que literalmente, leem enquanto andam em plena rua, faça sol ou chuva, em malabarismos de equilibrista entre o chapéu de chuva, a mala, e o livro, normalmente a chamada edição de bolso, pois equilibrismo e magia têm limite. 

Na magia da escrita de Afonso Cruz sobressai a criatividade, que exercita e nos convida a fazer uma reflexão sobre a importância das estruturas narrativas para através delas (re)descobrir o Mundo, num enredo onde este macaco bêbado é personagem divertido ou até espertalhão, mas transversal a diferentes temas contemporâneos que importam ao autor abordar, para,  transmitir uma mensagem, forte, sobre o Mundo atual.


Por todos estes motivos, fiquei impressionada por conhecer este autor, que se assume como humano de 2 patas (perdão duas pernas), tal como esta criatura segunda-autora Cotovia, e em breve espero ter a oportunidade de ler este autor noutros registos  e estilos, o que só será difícil pela proficuidade refletida nos inúmeros títulos por ele escritos.

Natural da Figueira da Foz, premiado pela União Europeia entre outros prémios como o Prémio Fernando Namora, o Prémio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil do Brasil, em mais de 30 livros publicados, traduzidos em mais de 20 idiomas.


Mas o que mais  impressiona nesta leitura, não são os prémios.

É como Afonso Cruz nos apresenta em pouco mais de 70 páginas, o percurso da vida humana, como uma surpreendente Epopeia contemporânea, com as qualidades e vícios inerentes, os acúmulos e reservas, e, o papel central do álcool, seja no vinho ou na cerveja, para a evolução humana, segundo o autor a apresenta.


Uma coisa é certa, ficamos com vontade de ir à ópera! 

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Origens da Ópera

 

 

21
Dez22

As Viagens


Cotovia@mafalda.carmona

Do meu contentamento...

  • Nesta, que se inicia hoje, estação do meu descontentamento, o Inverno, sou invadida pela nostálgica memória das viagens.

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ilustração "Silêncio de Inverno" de @mafalda.carmona 

Viajei bastante, por conta das idiossincrasias familiares, só mais tarde compreendidas.

As primeiras viagens foram de barco, um transatlântico, quando ainda existiam para irmos de uns continentes para os outros, imaginam? Depois avião, carro, comboio e autocarro.

Excetuando as viagens de barco (as mais difíceis), as viagens de avião eram uma excitação, sobretudo pelo frenesim nos aeroportos, as manobras dos aviões, o levantar voo aqui e agora, e o aterrar lá longe, numa terra completamente diferente, quase num ápice,  o tempo de um sonho.

Depois, nas viagens de automóvel, o ir indo, viajando, o tempo próprio das paisagens que desfilam na janela, tal como nos comboios, mas no carro há uma domesticidade maior, uma familiaridade com as paisagens libertas do bulício das gares e dos aeroportos, aquelas janelas mais pequenas, alimentam uma expectativa pelo espaço aberto e pela novidade, a próxima terra, ceara, pomar, o próximo local de paragem e de partida, as etapas pré-determinadas para um destino programado.

As viagens despertam, também, um sentimento de contrastes, o isolamento de uma madrugada ainda com o sol por nascer e as ruas desertas, quando se parte tentando não fazer muito barulho, e a chegada ao centro de uma cidade no meio da tarde, as filas de trânsito, as principais avenidas, a chegada ao hotel, os cheiros característicos desses espaços.

No viajar está esta sensação de " Poder", para fazer, para ir, estar, ver, sentir, contentar-se.

Se o ponto de chegada é um motivo de excitação, o próprio processo da viagem, é igualmente intenso, onde muitas vezes a impossibilidade de parar, dá lugar a guardar pequenos postais estáticos de pessoas, coisas, situações e paisagens, uma coleção de imagens, um álbum de fotografias imateriais, guardado dentro de nós.

As viagens literárias são, também, assim.

Essas, recolhem todas estas emoções e sentimentos do viajante e através dos autores, dá-se a magia, pois conseguem esta alquimia, a de transformar palavras em imagens, e imagens em palavras tão vividas como aquelas que guardamos e lembramos em ténues recordações. Fazem-no tão bem que nos oferecem uma incrível viagem nas histórias que contam, reais ou ficções, aventuras ou poesias. É a poesia das palavras materializada em textos a gerar imagens reais e sentidas.

E assim na literatura somos viajantes, quem escreve e quem lê, uma viagem partilhada na qual os autores não vivem sem leitores, que não vivem sem autores, são o par Piu-piu e franjola desta antiga história, de um amor, o inventado por Platão, para fazer o nosso contentamento nestes dias de um inverno, estação que atravessa o ano de 2022 para nos entregar o ano de 2023, que agora se inicia.

Estimadas Pessoas: 

 

Chegou o Inverno!

 

No meu caso, gosto é do Verão,

Mesmo sem passear de prancha na mão,

Pois tenho penas e asas, para meu espanto!

Asas para voar em fingida imaginação,

Nestes dias frios de chuva, vento e desalento.

É em grande desassossego e tormento,

Que desespero pela chegada da Primavera.

Para animar esta quadra há o Natal,

O Advento e a Consoada, a passagem de Ano,

E num instante está à porta o Carnaval!

Como Companhia, esta Cotovia tem as Pessoas,

Os autores, textos em poesias, e literárias aventuras.

Haja saúde, paz, bons ventos, amor e amizade,

Para viver grata e em feliz contentamento.

Na viagem no comboio das estações,

O tempo passa veloz, sempre igual, sempre diferente.

Boa quarta-feira e bom 21 de Dezembro.

 

Boas Viagens. Feliz Natal, Boas Festas e Bom Ano de 2023, Pessoas!🐦

 

14
Dez22

Nada é novo debaixo do Sol...


Cotovia@mafalda.carmona

Está tudo inventado, a vida de um Hamster, Ariadne, Anjos e Inteligência Artificial

  • Olá Pessoas! Neste dia em que um enorme avanço na fusão nuclear a frio é alcançado, tenho novo monólogo da Cotovia, sobre a validade de duas afirmações: 

"já está tudo inventado";

e (muito pertinente)

"nada é novo debaixo do sol."

Esclareço de antemão, perdão, de ante-asa que discordo de ambas.


Muitas vezes, demasiadas quanto a mim, me deparei com esta afirmação, ou suas semelhantes em diferentes sítios, com diferentes vozes: "Está tudo inventado" e "nada é novo debaixo do sol".

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Salk Institute (Louis Kahn) 

Quando o arquiteto Kahn projetou o centro de pesquisa, ele imaginou que contribuiria para a melhoria da humanidade. Kahn cria espaços de laboratório espaçosos e desobstruídos, adaptados às necessidades em constante mudança da ciência. Os materiais de construção tinham que ser simples, fortes, duráveis ​​e livres de manutenção o mais possível.

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Quanto a "não há nada de novo debaixo do sol" é uma afirmação com 3000 anos,  provinda da Biblia, no livro Eclesiastes que se inscreve na corrente de sabedoria, e é atribuído a Salomão, " filho de David, rei de Jerusálem". A reflexão sobre o tema central "A Vida terá Sentido?" , escrito no século III a.C. , revela:

"um pessimismo deste livro que, afinal, se mostra profundamente crítico, lúcido e realista. (...) e o discurso oscila entre a repetição do antigo, a sua negação no presente da experiência quotidiana, e a busca interrogada que ainda não obtém respostas." 

Nesse sentido, quanto à afirmação tantas vezes repetida como uma confirmação de que nada é original, remete para a leitura na íntegra ( e íntegra) do texto, para a devida contextualização:

"daí a complexidade do ópusculo, as diversas leituras possíveis e o recurso dos estudiosos a vários autores para explicar a aparente  multiplicidade de linhas teológicas".

in  Bíblia Sagrada, ed. Soc. S. Paulo, 1993, com prefácio do Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa.

 

Quanto a "Está tudo inventado", quem o terá dito terá sido o Duell, Charles, e o motivo desta sua afirmação, terá sido feita no contexto de uma proposta para o encerramento da secção de registo de novas patentes. Ora não só a sua proposta foi rejeitada, como as patentes continuam a ser uma realidade.


"Para que uma patente possa ser depositada é necessário que o produto ou processo motivo do pedido seja um invento novo, sem similaridade com algo já existente".como podemos ler no site justica.gov.pt/registos : "A patente permite-lhe proteger uma invenção nova, que ainda não tenha sido tornada pública e que não seja óbvia relativamente ao que já foi divulgado",

Esclarecendo de seguida o que significa ser nova (por ter atividade inventiva), e também, daqui se subentende a realidade da perpétua saga inventiva e criativa do ser humano, a diferença entre a patente natural e a de origem na inteligência artificial, sendo que, por enquanto, a inteligência artificial não tem direitos diretos, ou naturais, de patente. No entanto já estivemos mais longe do universo retratado em "2001 uma odisseia no espaço" de Kubrick ( e Arthur C. Clarke) datado do ano de 1968.

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HAL-9000: o terror de 2001. (Foto: Reprodução/Metro-Golden-Mayer)

O que me leva ao artigo de Bergson sobre "o esforço da invenção" :

"O escritor que escreve um romance, o autor dramático que cria personagens e situações, o músico que compõe uma sinfonia, o poeta que compõe uma ode, todos têm no espírito, em primeiro lugar, alguma coisa de simples e de abstracto, isto é, de incorpóreo. Para um músico ou para o poeta é uma impressão nova que se procura transformar em sons ou em imagens. Para o romancista ou dramaturgo é uma tese a desenvolver em acontecimentos; um sentimento, individual ou social, a materializar em personagens vivas.

Trabalha-se sobre um esquema do todo, e o resultado é alcançado quando se chega a uma imagem distinta dos elementos. (...)  

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Portanto, e tal como a entidade que rege as patentes discordou, por motivos que certamente indicou, também eu tenho de discordar de Duell... por motivos que em seguida refiro:

Primeiro, entendo que rejeitar a originalidade é rejeitar a própria existência.

Segundo, é a assunção de já estar tudo vivido.

Terceiro, ( vem aí o hamster...) é assumir que tudo existe ou existiu antes, nada surge de novo, que a partir de um dado ponto seremos, enquanto Humanidade, nada mais do que o hamster que faz girar a máquina de Deus retratado na série da Netflix, "Ninguém Tá olhando".

Netflix, trailer de ‘Ninguém Tá Olhando’, Será mesmo que o Chefe é, apenas, um hamster que só fica correndo para dar “corda” ao maquinário das bolinhas ou existem alguém?


Assim, pelos pontos supra referidos, discordo veementemente, com esta afirmação do "já está tudo inventado".

Além disso, o dado fundamental a provar que não está tudo inventado, é a impossibilidade de terem sido colocadas todas as perguntas, ou estarem dadas todas as respostas. Portanto, enquanto existirem perguntas para fazer, não está tudo inventado, nem saberemos como se apresentará o Mundo, nem a Humanidade, no Futuro.

E sim, vale a pena continuar a fazer perguntas que ainda ninguém formulou, e a encontrar originalidade para criar algo de autenticamente novo e diferente do que existe.


Por outro lado, também não concordo com a afirmação de que toda a obra ou é um roubo ou é uma cópia, e que o segredo está em copiar tão bem que não se perceba a cópia, como se não tivéssemos aprendido a lição pelos nossos próprios meios e estivéssemos num exame a copiar pelo colega da frente ou do lado, e tivéssemos de o fazer com engenho, para o conteúdo ser o mesmo mas com uma forma aparente diversa, para ninguém ser descoberto e anulados ambos os exames, (por isso até para escolher quem se deixa copiar é preciso ser um bom conhecedor do génio humano).

A utilidade deste processo é que me escapa, pois, não apenas confirma a inexistência de conhecimento, como também a futilidade deste mecanismo, que se revela inútil para gerar qualquer coisa criativa original, ao não ter fundamentos, as tais bases essenciais do conhecimento prévio. 

A cópia é, ou será em hipótese, útil quando, e, se está em fase de aprendizagem, enquanto que a informação não é absorvida e incorporada. Depois disso é desnecessária e prejudicial, pois impede a descoberta de um estilo próprio, seja de pensamento, seja de expressão, criativos.


A proliferação da cópia é contraproducente porque há perguntas que só existem dentro de cada um.

E é importante que essa particular visão, transposta em perguntas, se torne real, para que quem formula essas perguntas, prossiga para o campo da criação de modo tão intuitivo como respirar, e assuma o risco e a responsabilidade de trazer essa nova realidade ao mundo, transformando-o.

Esse será o verdadeiro problema da originalidade, se for governada pela prudência e pela continuação da formulação das mesmas perguntas seguras, os resultados serão os mesmos, os limites do conhecimento estáticos, inalterados, o mundo pára de girar, e o Hamster nunca será descoberto.


Mais, aquele que sabe, conhece, não precisa que lhe mostrem nada, que lhe revelem os segredos, que lhe expliquem como operar a magia, basta-lhe olhar e compreende e reconhece o funcionamento daquele mundo. Mesmo se isso implicar labutar horas infindas na busca desse conhecimento que intui existir e que ambiciona dominar.

Pela observação do mundo, não só é possível entender o seu funcionamento, a "macchina interna funcionale", como através da reflexão, descobrir os segredos da técnica ou tecnologia e seguir para a frente, tendo como novo ponto de partida o estadio imediatamente anterior, como se fosse uma teia de Ariadne, a aguardar, pacientemente ser meramente finalizada pela intervenção humana.

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Criatividade e Potencial Criativo


Ou seja, para o processo de aprendizagem é necessário o acompanhamento para (re)conhecer o Mundo e o conhecimento e adquirir as ferramentas adequadas a cada área, para se iniciar o processo onde se passa das perguntas iniciáticas do "-porque?", para se propor os "-e se...?" e finalizar com o "-como?".

Reconhecemos estas Gigantes Pessoas em Darwin, Montessori, Gaudí, Mozart, Callas, Heinstein, Seymour, Verne, Rego, Duncan, Johnson, Picasso, e não apenas estas 12 magnificas Pessoas, muitas mais.

Não haveria aqui espaço para referir todas aquelas Pessoas que nos fazem sentir Gigantes enquanto Humanidade, e Formigas enquanto Pessoas, pelo reconhecimento da enorme distância que separa o comum mortal do génio intemporal na sua capacidade de propor a pergunta certa, o "-e se... em vez de ser assim fosse de outro modo?"

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Encontrar essa pergunta que propõe alternativas, essa pergunta justa, no sentido de ser a pergunta certa, certeira, correta, adequada, aí reside o propósito, ou missão, para quem pretende ter uma vida criativa, e... quem sabe, genial.

E para vós Pessoas, fica a seguinte pergunta:

O que acham, já estará tudo inventado ou ainda é tempo para originalidade, e a criatividade é inata ou algo passível de ser desenvolvido?

Boas reflexões, boa semana, Pessoas!

07
Dez22

O Super-Homem, o Mundial e...


Cotovia@mafalda.carmona

E o Crist...ano horribilis... ou a poesia do futebol

  • Hoje vou aventurar-me em voos diferentes, altamente esdrúxulos, e partilhar convosco as reflexões sobre o jogo da seleção portuguesa no Qatar em goleada fenomenal.

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Como o Super-Homem se tornou o herói mais reconhecido.

Que todos temos de reconhecer que não é para todos, este resultado de 6 voos, perdão, golos para a equipa de Portugal e 1 golo para a equipa da Suíça, além das questões postas em "campo" pela subida meteórica ao pódio dos meninos de ouro do jogador Gonçalo Ramos, este nascido em Olhão, com o mesmo nome de um ex- jogador de pólo-aquatico do Setúbal, modalidade desportiva entre tanta outras, mesmo as olímpicas, onde também há meninos de ouro, campeões nacionais, medalhados a ouro, prata e bronze, mas que ficam a milhas de distância do estrelato das figuras de popa do eterno desporto rei, o futebol.

Se é bom ou mau, ficaria para outro texto, neste contexto, é o que é.

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Super-Homem e Kryptonite

De qualquer forma, e como os pássaros não jogam futebol, vou ater-me a considerações pela perspectiva desta Cotovia.

Basicamente pode ser resumido no ditado popular": quanto mais alto voas, mais alto cais". E para dar um toque mais literário, C.R. transforma-se ( ou transformam-no) de homem do leme, no cão de Saramago da Jangada de Pedra. Colossal e trágica transformação ou metamorfose, capaz de ressuscitar Kafka só para idear novo romance.

Neste romance, transparece a dura, cruel vertente do outro lado da vida de uma estrela... Quase sempre depois de avistada, ser seguida pelos reis magos, indicar o nascimento do menino Jesus, na antecipação da sua eleição como o filho pródigo... Eis que se transforma em estrela cadente, anunciando o final subito e trágico do ora adorado, agora crucificado humano, numa "via-cruxis" de 15° estações.

História antiga esta, de enredo repetido exaustivamente, do nascimento na manjedoura, de pobre e descalço, até à crista da onda e banhos de multidões, é apenas um estágio para se chegar as provações da cruz... Mesmo se essa cruz for na check list da lista dos efetivos. Resta saber se este Crist...iano tem a alma fechada ao desânimo e ao fim de 3 dias recupera da sua luta C.R. versus C.R. para reabilitar a sua condição terrena do maior entre os maiores, isto depois de ter passado por um metafórico calvário, onde caiu 3 vezes, se não bíblico pois não me arrisco a semelhantes comparações, numa repetição prosaica do aristocrático ano "horribilis" da Rainha Isabel II, em 1992, exactamente 30 anos depois. Isto para vermos que as estrelas e, ou, personalidades partilham datas marcantes, também não é para todos.

Seja qual for o desfecho final, a verdade é que, falar, escrever, ou estar com as estrelas, aumenta exponencialmente a visibilidade dos acontecimentos, e o acolhimento das publicações, desde as mais comuns e incógnitas como esta, até telejornais nacionais, jornais, revistas, galas, fundações e até o cantinho o menino de Brussels fica, ainda mais, apinhado se alguma destas Stars resolver fazer uma selfie por lá.

Foi assim que aconteceu no blogue da Cotovia e Companhia no passado dia 21 de Novembro.

No post original, o monólogo apresentou 700 gostos, quando o normal são, no máximo (e já é um exagero), 7, e sem o glamour do CR. Neste incremento percentual, as notificações da página atingiram a barbárie dos jogos da fome, com as centenas de gostos a apitar, a invasão dos comentários, mais de 40, de tal forma que quando acalmou, agradeci pelo regresso à normalidade do silêncio e da meia dúzia de polegares para cima e 2 ou 3 corações.

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Obviamente o sucedido, pelo inusitado, também levou a uma conclusão, (sem desmerecimento pelas 147, mais 19 no sapo, ou seja, 166 Pessoas seguidoras da Cotovia, mas não são pãezinhos de Santa Isabel para se multiplicarem e desdobrarem em 700 likes):

Qualquer publicação com as palavras chaves iniciadas com Crist...o, ou Crist...iano, o C.R., como as de Jesus, ou JJ em tempos do Jorge, claro, atingem a estratosfera das visitas e visualizações chamadas de virais.

Constatação óbvia depois de passada a consternação por perceber que não terá sido, apenas, o poema 'o vestido encarnado' o responsável pelo like-boom dessa publicação.

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É Natal tempo da pomba branca

Com o meu habitual afã de curiosidade em resolver mistérios da vida comum, fui procurar em todo o lado como poderia ser explicado este fenómeno de viralidade nas redes sociais.

Nestes casos, e mesmo se me chamarem retrógrada, sou eminentemente determinista: "conhece as causas e conhecerás os efeitos" (ou as manifestações, ou os fenómenos, mais exactamente os virais, e, procurarei a citação completa para em P.S. fazer a referência como deve ser, para agora não perder o fio a este novelo...).

E foi assim que conheci o Ben Clark, uma espécie de super homem da poesia, e que nem precisa de vestir fato nenhum especial como o Clark Kent, senão o do talento. Como não ganha milhões, senão nas visualizações de um poema que se tornou viral, nem vai receber convites para ser Xerazade exclusivo por 200 milhões/ano para as arábias, pode ficar sossegado a escrever seus poemas e romances que ninguém quer saber disso para nada.

Livre-se este Ben de se relacionar com uma estrela ou começar a receber dinheiro às pazadas com as suas poéticas literárias criações, pois só se perde a liberdade e se passa de Bestial a Besta (e o inverso) quando o factor dinheiro entra nesta equação, tal kryptonite humana.

Por esta reviravolta não esperavam, mas foi aqui que este episódio futebolístico me levou.

Se este caso é eminentemente poético, épico ou trágico vamos descobrir no dia 10 de Dezembro, próximo sábado, no jogo Portugal-Marrocos às 15.00 horas, horário de Lisboa.

Até lá Pessoas! 

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P.S. Pré-determinismo: se, como Laplace, o deísmo e o behaviorismo, supuséssemos que todo efeito já está completamente presente na causa, temos um determinismo mecanicista onde a determinação é colocada no passado, numa cadeia causal totalmente explicada pelas condições iniciais do universo. In Wikipédia

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{Cotovia} em Colectânea

Sinopse A Coletânea “ERA UMA VEZ…ALENTEJO” é uma obra que inclui poemas, fotografias, ou obras artísticas originais cujo tema e foco principal seja o Alentejo, e está abrangida no projeto europeu “Antologias Digitais”. Tendo a cidade de Évora sido recentemente nomeada Capital Europeia da Cultura 2027, faz todo o sentido homenagear não só a cidade como também toda a beleza circundante e riqueza cultural da região, e observar as maneiras como estas inspiram as pessoas de vários pontos do globo. Autor: Vários Formato: pdf Edição: 08.05.2023 Ilustração capa e contracapa: Ana Rosado; Vítor Pisco Editora Recanto das LetrasBaixar e-book

{Cotovia} em Antologia

Sinopse Aquilo que temos vindo a testemunhar desde 20 de fevereiro de 2022, provoca em nós sentimentos complexos, melhor expressados através da arte. Esta antologia recolhe estes sentimentos, e distribui-os para quem neles se reconforta e revê. Para o povo ucraniano, fica a mensagem de acolhimento, não só em tempos de crise, mas sempre. Porque é difícil expressar a empatia por palavras, mas aqui fica uma tentativa, por 32 autores, nacionais e internacionais. Autor: Instituto Cultural de Évora Formato: pdf Edição: 14.08.2023 Ilustração capa e contracapa: Ana Rosado Editora Recanto das Letras

{Apoio à Vítima}

A APAV tem como missão apoiar as vítimas de crime, suas famílias e amigos, prestando-lhes serviços de qualidade, gratuitos e confidenciais. É uma organização sem fins lucrativos e de voluntariado, que apoia, de forma qualificada e humanizada, vítimas de crimes através da sua Rede Nacional de Gabinetes de Apoio à Vítima e da sua Linha de Apoio à Vítima – 116 006 (dias úteis: 09h – 21h). Aquando de um crime, muitas pessoas, para além da vítima directa, serão afectadas directa ou indirectamente pelo crime, tais como familiares, amigos, colegas. A APAV existe para apoiar. Os serviços da APAV são GRATUITOS e CONFIDENCIAIS.

{Notícias Sobre a Ucrânia}

A UE condena com a maior veemência a agressão militar não provocada e injustificada da Rússia contra a Ucrânia. Trata-se de uma violação flagrante do direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas. Apelamos à Rússia para que cesse imediata e incondicionalmente todas as hostilidades, retire o seu pessoal militar e equipamento de todo o território da Ucrânia, no pleno respeito pela soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas. A UE apoia os princípios e objetivos fundamentais da fórmula de paz da Ucrânia enquanto via legítima e credível rumo a uma paz global, justa e duradoura.
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