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{Cotovia} e Companhia

Olá Pessoas! Bem-vindas ao blogue da Cotovia onde (m)ando {cotovia}ando! Sigam a cor deste vôo: "Nascemos poetas, só é preciso lembrá-lo. Saber é quase tudo. Sentir é o Mundo." @mafalda.carmona

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{Cotovia} e Companhia

23
Out23

Cores de Outono


Cotovia@mafalda.carmona

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Cores De Outono

#1 - Cor de Rosa Esperança 

{Soneto Alexandrino}

**

Bela, olha para ti, és rosa virtuosa,  

A chuva te arrastou pela sombra crescente,

Leviana levou o que em ti era reluzente,

Desfolhou a tua irmã de forma tortuosa.

*

Sofre por ti e em vão te procura e te chama,

Onde era o teu lugar fica agora a desdita,

Vazio assustador, reflexo da maldita,

E as mãos do vento são agora a vossa cama.

*

Do longe vos soprou no ocaso acidulento,

Crescerão com raíz em retinta amargura,

Aí se implanta o lugar desta triste história.

*

Tudo ao redor será ilusão, e no entanto

Velhos serão então desgosto e desventura,

Mas do melro ouvirão cantar a vossa glória.

****

Mafalda Carmona

22.10.2023 | 22:01

P.S.

Este soneto é o primeiro de uma série de sonetos sob o título "Cores De Outono" inspirados pela observação da natureza e elementos naturais, com que a Cotovia se depara no quotidiano, deste nosso outono 2023.

Espero que gostem, desejo-vos uma excelente semana, Pessoas!

Saúde, Paz, e... Viva a Poesia!

 

P.S.#2

Vou tentar por aqui num P.S. #3 o reel que partilhei no meu perfil do Instagram do primeiro soneto da série "Cores De Outono", intitulado, "Cor De Rosa Esperança", mas também podem tentar ali onde estão as ligações no perfil aqui da Cotovia no Sapo Blog, aceder, (acho esta coisa dos mini vídeos o máximo) e, para vos dar duas informações:

Primeira, tenho outros sonetos já alinhavados, "Cor De Loendro Mimoso", "Cor De Tomate Des/temperado"...e mais se seguirão até chegarmos ao Inverno (achei que não iam passar bem sem esta informação... ;)...
e a segunda:

Fui informada de que a hora muda no próximo sábado, Pessoas!
Parece uma precipitação, mas é informação de suma importância pois significa que atrasando o relógio uma hora, podem acordar às 9 de domingo que afinal serão 8!
Saber que vou ter mais uma hora de sono e ainda assim manter a rotina matutina, e a fama de ave madrugadora (só que não, ou nem sempre, sobretudo ao domingo...) é um incentivo extra para começar bem a semana!

Abraços e beijinhos, Pessoas,  "aproveitem a vida e façam o favor de serem felizes, não deixem nada por fazer, nem nada por dizer!" (A.F.)

P.S.#3

Reels "Cor De Rosa Esperança"

21
Jul23

A Cotovia...

Escrita Leituras Poesia Soneto


Cotovia@mafalda.carmona

IMG_20230721_091632.jpg

(1)...em aparição na versão de Raul Brandão de "Os Pescadores" foi uma grata surpresa, ou até um espanto, descobri-la nas páginas deste livro, que não resisti adquirir. 

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(2)"(...) Quando regresso do mar venho sempre estonteado e cheio de luz que me trespassa. (...) Torno a ver o azul, e chega mais alto até mim o imenso eco prolongado... Basta pegar num velho búzio para se perceber distintamente a grande voz do mar. Criou-se com ele e guardou-a para sempre. - Eu também nunca mais a esqueci..."

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(3) Não lia Raul Brandão desde a minha juventude, e o seu nome remete-me sempre para um outro autor, Aquilino Ribeiro, num dos meus livros preferidos da altura, a saga dos Brandões, no romance "A Casa Grande de Romarigães" de 1957, lido nos anos finais dos anos 70 do... século passado... fascinou-me então pela abordagem da história desta família desde o tempo dos " Filipes, mas que se estende por inúmeros momentos marcantes da nossa História, nomeadamente a Guerra da Independência, as Invasões Francesas e a Guerra dos Dois Irmãos." conforme sinopse da obra no site da biblioteca Bertrand, que podem ver aqui:

https://biblioteca.bertrandeditora.pt/reader/index.html#!/

E por associação também me remeteu para a introdução do eucalipto no nosso país, para alimentar a indústria da pasta de papel, com a consequente destruição do habitat e equilíbrio ecológico da nossa paisagem com a introdução destas árvores, vindas da Austrália que se consideraram úteis, além da elevada rentabilidade económica, para a drenagem de zonas alagadiças e pantanosas, as quais em poucos anos produziam milhares de toneladas de madeira para a pasta de papel.

 

Mas, não é de eucaliptos nem da Austrália, continente e país que um dia gostaria imenso de visitar, e que seria, a acontecer, digamos a viagem da vida da Cotovia, que este postal vem retratar, mas sim este livro "Os Pescadores", nomeadamente o capítulo referente aos pescadores de Sesimbra (Lisboa, Setúbal , Sesimbra e Caparica), com a descrição rica de um ambiente que não existe mais, e até o caminho pela que é hoje a nacional 378, é relatado nas suas inúmeras particularidades, assim como os especiais pescadores de Sesimbra e a sua solidariedade descritos do seguinte modo:

"(...) à esquerda o dorso formidável da Arrábida e algumas casinhas juntas com lindos nomes rústicos - Quintinha, Sant'Ana, Cotovia. Estamos perto. A carripana vai descendo para Sesimbra pela estrada em torcicolos"

(...) Este homem é de instinto comunista. Se um adoece, os outros ganham-lhe o pão: recebe o seu quinhão inteiro. Se morre, sustentam-lhe a viúva e os filhos entregando-lhe o ganho que ele tinha em vida. (...) O produto das artes é dividido em quinhões iguais pela companha. A pesca do anzol é uma espécie de cooperativa, e a barca quase sempre dos pescadores.(...)

Já nesta mesma semana, estava a Cotovia a ver um filme em sessão com direito a pipocas, quando aparece a seguinte frase, também ela relacionada com Pescadores:

"A ambição de um homem nunca deve ultrapassar o seu valor"

Como pertenceu ao diálogo de uma personagem, não faço ideia se é uma citação ou uma criação, mas no contexto, fez-me reparar no pormenor de que apenas uma letra separa a palavra Pescador da palavra Pecador.

E como, de voo em voo, todos os eventos levam a Cotovia à Poesia, fui aterrar na escrita deste soneto, pois que as nossas paixões se revelam nas mais pequenas coisas, e o soneto é uma paixão, tal como diz a querida Poetisa Maria João de Brito na apresentação do seu blogue poetaporkedeusker:

"(...) porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem."

 

E aqui fica mais um poema da Cotovia, em exercício de aprendizagem do formato de soneto em verso alexandrino, espero que gostem!

 

Navega o Pescador nesse Mar das Palavras

**

Adivinhasse quem revolto mar aporta,

Soubesse o que convém, saberia ao que vem.

Tempestade a nascer de alva e doce nuvem,
Mas célere a forjar tirânica comporta.
*

Que nome tem então o eterno Pescador?

Ou será outro alguém a quem de facto importa?

Nessa alvorada atroz quando a navalha corta,

Recolhe o fundo anzol onde germinou a dor?

*

Desencanto e traição, arpão na alma entranhado,

Desinquieto mar de ondas tremeluzentes,

Maré surda a afogar desastre sonhado.

*

Nenhum pesar desfaz rumo mal ordenado,

Inverte a subversão de torpes maldizentes,

Nem resgata o azul céu a quem foi abandonado.

****

Mafalda Carmona 

21.07.23 | hr. 8:45

editado em 21.07.23 | hr.16.58

(1), (2) e (3) Fotografias da capa, orelha e página 123 da obra de Raúl Brandão, "Os Pescadores", Book Cover Editora, ed.outubro 2020 ISBN: 978-989-8898-69-2

P.S.

Notas de aprendizagem poética, soneto alexandrino:

"Um alexandrino "vero" tem de ser dividido em dois hemistíquios de exactamente seis sílabas poéticas cada um. Assim sendo, aqui temos "ta, ta, ta, ta, ta, TÁ//ta, ta, ta, ta, ta, TÁ". 

Ou acabamos o primeiro hemistíquio com uma palavra aguda - pão, fiz, farei, amanhã, etc. - 

ou caso acabemos com uma grave ou paroxítona - minha, fome, ritmo, pára, etc. - teremos de iniciar o segundo hemistíquio com uma vogal que possa fazer crase com a vogal imediatamente anterior - exemplo:

" A luz com que nos cinda//assim que nos beijar". 

Nunca, de forma alguma, o primeiro hemistíquio poderá terminar numa palavra proparoxitona. Estas são as três condições absolutamente essenciais para que um soneto dodecassilábico possa ser considerado alexandrino.

Resumindo: É comum chamar-se de alexandrino os versos de 12 sílabas, entretanto os verdadeiros alexandrinos são compostos de dois versos de seis sílabas, 6/6, sendo indispensável que o primeiro termine em palavra aguda, oxítona, ou, no caso da palavra ser grave, paroxítona, que a palavra seguinte comece por vogal ou h mudo, assim possibilitando a elisão."  De Maria João Brito de Sousa em comentários.

 

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Sinopse A Coletânea “ERA UMA VEZ…ALENTEJO” é uma obra que inclui poemas, fotografias, ou obras artísticas originais cujo tema e foco principal seja o Alentejo, e está abrangida no projeto europeu “Antologias Digitais”. Tendo a cidade de Évora sido recentemente nomeada Capital Europeia da Cultura 2027, faz todo o sentido homenagear não só a cidade como também toda a beleza circundante e riqueza cultural da região, e observar as maneiras como estas inspiram as pessoas de vários pontos do globo. Autor: Vários Formato: pdf Edição: 08.05.2023 Ilustração capa e contracapa: Ana Rosado; Vítor Pisco Editora Recanto das LetrasBaixar e-book

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Sinopse Aquilo que temos vindo a testemunhar desde 20 de fevereiro de 2022, provoca em nós sentimentos complexos, melhor expressados através da arte. Esta antologia recolhe estes sentimentos, e distribui-os para quem neles se reconforta e revê. Para o povo ucraniano, fica a mensagem de acolhimento, não só em tempos de crise, mas sempre. Porque é difícil expressar a empatia por palavras, mas aqui fica uma tentativa, por 32 autores, nacionais e internacionais. Autor: Instituto Cultural de Évora Formato: pdf Edição: 14.08.2023 Ilustração capa e contracapa: Ana Rosado Editora Recanto das Letras

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