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{Cotovia} e Companhia

Olá Pessoas! Bem-vindas ao blogue da Cotovia onde (m)ando {cotovia}ando! Sigam a cor deste vôo: "Nascemos poetas, só é preciso lembrá-lo. Saber é quase tudo. Sentir é o Mundo." @mafalda.carmona

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{Cotovia} e Companhia

23
Mar23

Elogio...


Cotovia@mafalda.carmona

Ou o "Teatro do Mundo" de António Gedeão

  • Este é poema vosso, Pessoas, nosso, e "meu" também depois de me ter sido oferecido por um Amigo virtual, um blogger aqui do Sapo, sobre este que é "O" Mundo, meu, nosso e vosso, em pluralidade. Essa pluralidade humana, percebo agora, onde o cumprimento ou elogio surge como mal educado se em vida.

Um mundo onde terei de, pacientemente, num exercício de desapego, esperar que o seu autor deixe esta esfera mundana, para poder ter o direito ao entusiasmo do elogio, então fúnebre, pois parece ser o único de bom tom e aceitável, para a modesta condição de algumas pessoas, a pretensão de outras ao anonimato, e, ainda aquelas que o sentem como uma agressão, como se quem elogia, cumprimenta, ou agradece, o fizesse com a intenção de legitimar a egocêntrica intelectualidade, superioridade ou cultura, num esfregar de umbigo narcisista.

Provavelmente, digo eu, quem elogia, tem como sentimento, não o se sentirem superiores, ou terem a pretensão de dar o seu aval seja ao que for, mas pelo motivo de genuinamente gostarem, e de ser um contributo inesperado para a vida, pois nesse momento de partilha, surge a ilusão, ou sonho, de se pertencer a um todo muito maior do que a individualidade.

Na impossibilidade de terem capacidade para retribuir, em igual medida, neste dar, manifestam o cumprimento ou o elogio em reconhecimento desse receber, amizade, amor, gratidão.

Não é grandiosidade.

É humanidade, não é para satisfazer os outros, é para os reconhecer.

E neste processo é, fundamental, também por respeito e lealdade, citar os autores, nomear, dando os créditos a quem de direito, numa demonstração de reconhecimento, de memória (que mesmo não servindo para muitas outras coisas, terá de servir para esta) para citar, quem antes o disse e escreveu, viveu e partilhou, se disso tivermos conhecimento (ainda que o desconhecimento não desobrigue).

Talvez por a minha escolaridade ser técnica, em eletrotecnia, que me é instintivo enunciar as leis, e os seus autores, e tal como a Lei da Relatividade de Einstein E=mc², ou a Lei de Lavoisier que todos nos habituamos a enunciar como "Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", também as experiências vividas terão uma finalidade.

E, até mesmo o tempo que julgamos ter perdido, num emprego, numa relação, num compromisso, ou a lutar por uma causa, quando os resultados não se anteveem, como o caso das greves neste momento, (dos oficiais de justiça, e as que tem acontecido, dos professores, dos médicos, enfermeitos, trabalhadores da CP, comunicação social...)

Assim, deveremos parar as demonstrações?

E podemos fazer um exercício e imaginar uma sociedade sem estas demonstrações, sejam de greve, de agrado, de desagrado, de apoio, de solidariedade, de ajuda, de felicidade, de tristeza, de entusiasmo, de pesar, e refletir como seria e quais seriam válidas e aceitáveis, e quais teriam de ser medidas, contabilizadas, e mesmo abolidas, e refletir sobre as consequências e mundo resultante.

Entretanto, conquistámos a democracia, foi uma luta de gerações para se mudar, foi preciso uma revolução, e alcançamos juntos a democracia, mudamos políticas,  costumes e mentalidades, fizemos, muito recentemente, na pandemia covid, enormes sacrifícios, dura realidade de muitos, consciência de todas as perdas.

Acabou o inaceitável "um homem não chora".

Passamos agora para o aceitável "um homem não ri".

Pode ser alegado que no tom, na medida dessa demonstração, tem de ter um limite, aceito que por educação e em nome do convívio, ou do que é "adequado" em sociedade, há necessidade de refrear essas demonstrações, para encontrar um equilíbrio, que, respeite as diferenças para não se tornar agressivo, ou mesmo asfixiante.

Ou seja o abraço físico voltou a ser possível, mas o abraço emocional, é uma companhia inconveniente. 

E, porque não é possível ter dois pesos e duas medidas se nos propomos aceitar, e por em prática, a pluralidade em igualdade, é importante a aprendizagem de saber dar este abraço emocional, saber elogiar, e, igualmente importante, saber receber o elogio.

Coisa que, ao invés da agressão, não se aprende nas escolas, muitas vezes nem no núcleo familiar e, infelizmente, estamos mais habituados a reagir a uma ofensa ou agressão do que a um elogio, embora tanto na ofensa como no elogio, esteja implicado um julgamento do Outro, e a pessoa que o recebe, pode sentir-se constrangida ou mesmo envergonhada, agredida, ou ainda, terrível, na obrigação de retribuir.

Na retribuição da ofensa todos fomos educados a saber o que dizer, fazer, reagir.

Já quando nos dirigem um elogio, de consideração, interesse, respeito, admiração, estima e afeição, ou até mesmo a enaltecer a gentileza, amabilidade, simpatia, inteligência ou capacidade, ficamos desconfortáveis, quase preferíamos a ofensa. E em vez de ser uma alegria e motivação, é uma preocupação e gera ansiedade, mais do que levar uma bofetada.

Pode parecer estranho como um elogio, sentido e verdadeiro, é tão prejudicial.

Talvez por isso os amorfos polegares azuis sejam, afinal tão mais reconfortantes, e mantenham a sua confortável superioridade, beneficiando da inércia da vontade na aprendizagem da prática saudável do elogio e do cumprimento.

De sermos amigos uns dos outros... em vida.

Assim, a propósito, mas sem propósito senão o da manifestação da diversidade de sentires, seres e estares, aqui ficam transcritas as palavras de António Gedeão, nos poemas, "Teatro do Mundo" e "Movimento Perpétuo", logo a seguir à fotografia, originalmente publicada pelo jornal Sol, aqui no Sapo, no artigo https://sol.sapo.pt/artigo/549818/romulo-de-carvalho-antonio-gedeao-um-principe-renascentista-atravessa-o-seculo-xx, 

Boa tarde, Pessoas!

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Teatro do Mundo

Venho da terra assombrada,

do ventre de minha mãe;

não pretendo roubar nada

nem fazer mal a ninguém.

 

Só quero o que me é devido

por me trazerem aqui,

que eu nem sequer fui ouvido

no acto de que nasci.

 

Trago boca para comer

e olhos para desejar.

Com licença, quero passar,

tenho pressa de viver.

Com licença! Com licença!

Que a vida é água a correr.

Venho do fundo do tempo;

não tenho tempo a perder.

 

Minha barca aparelhada

solta o pano rumo ao norte;

meu desejo é passaporte

para a fronteira fechada.

Não há ventos que não prestem

nem marés que não convenham,

nem forças que me molestem,

correntes que me detenham.

 

Quero eu e a Natureza,

que a Natureza sou eu,

e as forças da Natureza

nunca ninguém as venceu.

 

Com licença! Com licença!

Que a barca se fez ao mar.

Não há poder que me vença.

Mesmo morto hei-de passar.

Com licença! Com licença!

Com rumo à estrela polar.

 

António Gedeão, Teatro do mundo

 

Impressão Digital

 

Os meus olhos são uns olhos,

e é com esses olhos uns

que eu vejo no mundo escolhos,

onde outros, com outros olhos,

não vêem escolhos nenhuns.

 

Quem diz escolhos, diz flores!

De tudo o mesmo se diz!

Onde uns vêem luto e dores,

uns outros descobrem cores

do mais formoso matiz.

 

Pelas ruas e estradas

onde passa tanta gente,

uns vêem pedras pisadas,

mas outros gnomos e fadas

num halo resplandecente!!

 

Inútil seguir vizinhos,

querer ser depois ou ser antes.

Cada um é seus caminhos!

Onde Sancho vê moinhos,

D.Quixote vê gigantes.

 

Vê moinhos? São moinhos!

Vê gigantes? São gigantes!

 

in "Movimento Perpétuo", 1956

 

 

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Sinopse A Coletânea “ERA UMA VEZ…ALENTEJO” é uma obra que inclui poemas, fotografias, ou obras artísticas originais cujo tema e foco principal seja o Alentejo, e está abrangida no projeto europeu “Antologias Digitais”. Tendo a cidade de Évora sido recentemente nomeada Capital Europeia da Cultura 2027, faz todo o sentido homenagear não só a cidade como também toda a beleza circundante e riqueza cultural da região, e observar as maneiras como estas inspiram as pessoas de vários pontos do globo. Autor: Vários Formato: pdf Edição: 08.05.2023 Ilustração capa e contracapa: Ana Rosado; Vítor Pisco Editora Recanto das LetrasBaixar e-book

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Sinopse Aquilo que temos vindo a testemunhar desde 20 de fevereiro de 2022, provoca em nós sentimentos complexos, melhor expressados através da arte. Esta antologia recolhe estes sentimentos, e distribui-os para quem neles se reconforta e revê. Para o povo ucraniano, fica a mensagem de acolhimento, não só em tempos de crise, mas sempre. Porque é difícil expressar a empatia por palavras, mas aqui fica uma tentativa, por 32 autores, nacionais e internacionais. Autor: Instituto Cultural de Évora Formato: pdf Edição: 14.08.2023 Ilustração capa e contracapa: Ana Rosado Editora Recanto das Letras

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